Como era viver sem Internet – 10 Anos antes da Internet

Como era viver sem Internet nos anos 80

Hoje vamos relembrar (para os mais velhos), e descrever (para os mais jovens), como era a vida 10 anos antes de existir a Internet. Imagine como era viver sem Facebook, Whatsapp, sem serviços online, sem sites, sem Netflix, sem smarthphones, dá para imaginar? Pois vamos ver como é que a humanidade se virava naquela época, por incrível que pareça era bem legal, e garanto que muitas pessoas hoje em dia com mais de 35 anos, não pensariam duas vezes se tivessem a opção de voltar para reviver aqueles tempos.

1984

Os primeiros sites brasileiros começaram a surgir em 1994. Mas ainda levou alguns anos até que a Internet se popularizasse em massa. Afinal pouquíssimas famílias possuíam computador pessoal em casa naquela época. Mas não vamos falar de quando a Internet chegou, vamos falar de um tempo bem antes disso, cerca de 10 anos antes, por volta lá dos anos 80.

Se você nasceu depois dos 1990, provavelmente não nem tem ideia do que era viver naqueles tempos. Agora se você for como eu, que nasceu bem antes disso, vai matar a saudade e relembrar de algumas curiosidades da época.

COMUNICAÇÃO

Hoje em dia se você precisa falar com alguém, chama pelo Whatsapp, Facebook, entre outras comunidades, ou no pior dos casos liga pelo número do celular. Mas antigamente não era assim.

Na época, era o telefone fixo. Se precisasse falar rapidamente com alguém, somente com o uso de um telefone. Mas aí vem um problema, e se você não tivesse um aparelho telefônico em casa? Afinal não era todo mundo que tinha telefone.

Vida sem Internet – Fila para falar no orelhão
Vida sem Internet – Pacote de fichas de telefone
Vida sem Intenert – Fichas telefônicas

Nesse caso, não havia problema por que existia o “orelhão”! Hoje, em dia há poucos orelhões na rua, mas naquela época havia bastante. E olha só, tinha orelhão que fazia até fila! Para usar o orelhão, não era com os cartões telefônicos que temos hoje, e sim com a utilização de fichas. Cada ficha dava para falar 3 minutos.

Mas tinha, um problema! E se a pessoa com quem você queria falar, também não tivesse telefone? Aí não tinha jeito mesmo, se fosse alguém que morasse razoavelmente perto, você tinha que literalmente ir até casa do amigo para conversar ou simplesmente para chamar para sair.

Isso fazia com que o núcleo de amizades, pelo menos as mais próximas, ficasse restrita a região em que você morava.

Porém existia um hábito na época. Um hábito que ninguém comentava mas que instintivamente todo mundo seguia. Se você for mais velho, vai lembrar disso:

Todo bairro tinha alguns locais que serviam de ponto de encontro, seja uma praça, uma rua, em frente a uma padaria ou em frente a uma escola. Muita gente, chegava no final de semana, saia de casa e ía se reunir nesses locais com os amigos. No caso das crianças geralmente era a rua mesmo, onde a criançada se encontrava para brincar. No caso dos mais adolescentes se encontravam para conversar, ou marcar para jogar bola ou planejar uma baladinha. Esses locais eram o equivalente das redes sociais de hoje.

 

Mas e quando você precisava falar com alguém que morasse realmente longe? Tipo outra cidade? Aí nesse caso só por meio de carta, ou em casos de urgência mandando um telegrama.

Se você tem menos de 20 anos, eu vou lhe fazer uma pergunta: Você já se imaginou pegando uma folha de caderno para escrever uma carta à um familiar ou amigo que more longe de você. Observação: “Escrever a carta”, “envelopar”, “levar até o correio”, e “pagar o envio”! Pois é, era assim mesmo, olha o trabalhão que dava para enviar uma carta a alguém. O mais incrível, não era quando você enviava a carta, mas sim quando chegava pelo correio uma outra carta em resposta sua.

Mas ao contrário do que se pensa, nos anos 80 os mais jovens não tinham o hábito de enviar carta frequentemente, eram só em casos, bem específicos.

E o telegrama? Quando havia uma urgência de passar uma informação, era possível usar o telegrama. O Telegrama era um serviço que você contratava pelo telefone (ou na agência dos correios). Você dava o nome e o endereço do destinatário, e depois ditava o conteúdo da mensagem. Olha só, você pagava por cada palavra. Então quanto mais texto, mais caro ficava o telegrama.

Outro meio de comunicação que era popular na época principalmente entre médicos, repórteres, advogados, e outros profissionais era o BIP!

Você não sabe o que era o BIP? Para quem não sabe, o Bip era o precursor dos Pagers… Hum, Você também não sabe o que era um pager?

Então vamos lá, vamos começar pelo BIP. Lembre que nesta época não existia celular. Daí imagine a seguinte situação: Surge uma emergência em um hospital, e daí é preciso chamar o médico que não está no hospital e nem em casa (e também não existia celular). E aí? Como é que faz? É aí que entra o BIP. O Bip era simplesmente um aparelhinho que o profissional carregava consigo. E quando havia uma mensagem fazia um barulhinho, o famoso “bip”. Funcionava assim: O hospital ligava para operadora que gerenciava os bips e deixava uma mensagem. A operadora enviava então um sinal de rádio que acionava o aparelhinho. O profissional ao ouvir o sinal ligava para a operadora e recebia a mensagem pelo telefone.

Aparelho de BIP

Mas aí houve uma evolução! Nos anos 90 vieram os Pagers! A diferença entre pager e o bip, é que o pager mostrava a mensagem em um visor. Daí era muito mais rápido, pois o profissional não precisava ligar para a operadora.

Aparelho de Pager

Outra modernidade da época era o Fax. Tinha gente que até estufava o peito e enchia a boca para dizer: “Eu vou te enviar um fax”.

Pelo fax, você podia enviar uma cópia de um documento. Os aparelhos de fax se conectavam através da linha telefônica.

Fax dos anos 90

Serviços ONLINE de hoje versus seus equivalentes no passado

Hoje em dia, os serviços online são tão comuns que a gente nem imagina como era viver sem eles.

Eu vou dar alguns exemplos:

Mapas de rua

Uma página de um guia de rua dos anos 80

Se você precisa ir de carro até um endereço que você nunca foi antes e não tem nem ideia de onde o destino fica, basta colocar o endereço no GPS e seguir as instruções de percurso. Mas, e antigamente? Como era?

Nós tínhamos os “Guia de rua”! Quem lembra? O guia era um livrinho que continha todo o mapa de ruas de uma cidade. Você procurava o nome da rua em um índice, e neste índice, ao encontrar o nome da rua, você encontrava as orientações de como encontra-la no mapa, o nome da rua vinha seguido do número da página e uma posição envolvendo letras e números (estilo Excel), para facilitar encontrar o endereço no mapa.

Lista telefônica

Lista telefônica – “páginas amarelas”

Essa “era padrão”, todo mundo que tinha telefone, recebia pelo menos uma lista telefônica por ano.

Através da lista você podia encontrar o telefone de pessoas ou de empresas. Aliás, para alguns tipos de empresas a lista telefônica era o melhor meio para divulgar os seus serviços. Era o equivalente do Google hoje em dia.

Namoro

Classificados – correio sentimental

Hoje existe uma variedade de serviços de encontros. Seja em apps, sites especializados ou até comunidades. Mas antigamente? será que tinha algo similar?

Sim tinha sim! Existiam os “classificados”. Sabe essas páginas de classificados que ainda existem em alguns jornais? Então, naquela época haviam classificados exclusivos para quem queria conhecer alguém. Pode até parecer estranho, mas era comum encontrar no jornal homens e mulheres se descrevendo, e revelando o que pretendiam com seus parceiros.

Cursos online

Cursos por correspondencia dos anos 80
Instituto Universal Brasileiro – curso por correspondência

Tem gente que ainda acha incrível existir cursos online hoje em dia, onde você pode fazer um curso mesmo que esteja a quilômetros de distância da escola. Mas o que muita gente não sabe, é que parte dessas escolas virtuais é uma evolução dos cursos por correspondência.

Nos anos 80 tinha uma escola bem conhecida, quem lia quadrinhos ou revistas naquela época vai lembrar; “Instituto Universal Brasileiro”, lembra? Que inclusive, existe até hoje!

Basicamente você comprava o material do curso, que após alguns dias chegava pelo correio, e aí você estudava no conforto do seu lar.

ENTRETENIMENTO

MÚSICA

Hoje, obter a música de sua banda ou cantor é tão fácil, que fica até difícil de imaginar como era antes.

Basicamente nos anos 80 para adquirir uma música, a principal forma era comprando um Disco de Vinil.

Mas como ninguém era santo, nem mesmo naquela época, as pessoas davam um jeitinho para distribuir as músicas, uma vez que era caro consumir música, pelo menos no Brasil. Daí você deve se perguntar: Como é que se compartilhava música nos anos 80?

Aparelho de som 3 em 1 era usado para copiar músicas nos anos 80

 

Fita cassete dos anos 80

Tinha duas formas: a primeira era você pegar um disco emprestado com um amigo.
Para copiar a música você precisava colocar o disco em um aparelho de som do tipo “3 em 1” (que na época, muita gente chamava de “estéreo”). Estes aparelhos continham um lugar para colocar o disco de vinil, possuíam também sintonizador de estações de rádio, e um ou dois tocadores de fita cassete, tudo em um único aparelho.
Era comum nessa época a pessoas comprarem “fitas virgens”, fitas-cassetes que não continham música, ou seja prontas para serem usadas para gravar qualquer conteúdo de audio. Para copiar as músicas colocava-se o disco de vinil para tocar no aparelho “3 em 1”, e enquanto a música tocava, era copiada para uma fita cassete. Essa era uma das formas de copiar música.

A outra, era deixar a fita cassete preparada no ponto de gravação. Sintonizar uma emissora de rádio, e esperar até que e música que você queria tocasse no rádio. Quando ela tocava, era só apertar o botão do “REC” do gravador e copiar a música. Com direito a chiado, voz do locutor e a vinheta da rádio! Que beleza!

FILMES

Copiar filmes era um pouco mais complicado, mas também dava-se um jeito.

Vídeo cassete dos anos 90
Fitas de vídeo VHS

Naquela época, havia os videocassetes. Para copiar um filme você precisava de dois videocassetes, um para passar o filme e o outro para copiar. Agora pense no seguinte; As fitas de vídeo tinham aquela qualidade terrível, e para fazer uma cópia, você copiava de uma fita que já estava ruim, para outra que ia ficar ainda pior!… Esse foi os anos 80!

Pode até parecer que era ruim quando não existia Internet. Mas como ninguém sabia o que era isso, claro que ninguém sentia falta. E o que existia na época era o comum.

Você que hoje tem menos de 20 anos deve se perguntar; Será que você se adaptaria viver em um período sem Internet? Provavelmente, acho que para quem tem menos de 20, acredito que seria difícil, uma vez que conhece a Internet vários serviços que ela oferece. Acho até que seria terrível!

Porém com o passar do tempo notaria que as pequenas coisas iriam lhe parecer mais legais e prazerosas. Obter uma música por exemplo, seria uma felicidade incrível! Conseguir apenas uma única música de sua banda preferida, assistir um filme também deixaria de ser algo banal, afinal naquela época os filmes demoravam para chegar ao país, e não haviam tantas opções, no final você notaria que cada coisa que chegasse a você seria muito mais aproveitada, seja um filme, uma música, um passeio, um encontro com os amigos, e até mesmo a surpresa de uma carta endereçada a você. Eu sinceramente ainda acho que a década que vivemos agora, a dos anos 2010 é a melhor de todos os tempos devido as oportunidades e mais opções, porém do ponto de vista humano, afeto, amizade e carinho pelas coisas, dificilmente voltaremos a ter um período tão autêntico como foi viver antes dos anos 90.