O projeto Lyra – Interceptar OUMUAMUA, o asteroide interestelar

Alcançar Oumuamua

Em outubro, deste ano, pela primeira vez conseguimos detectar a passagem de um asteroide vindo de outro sistema estelar.

Inicialmente, quando o objeto foi descoberto, acreditava-se que era um cometa. No entanto, observações posteriores revelaram que era um asteroide e sua trajetória indicava que ele não pertence o nosso sistema solar e sim de outro lugar. Como trata-se de um asteroide de um sistema externo, foi necessário uma nova classificação, o nosso novo visitante foi catalogado como: 1I / 2017 U1, e também ganhou um nome; “Oumuamua”.

Oumuamua’ é uma palavra havaiana que significa “Um mensageiro de longe chegando primeiro”.

Atualmente acredita-se que Oumuamua veio da constelação de Lira.

Desde então foram realizadas várias observações em busca de mais detalhes sobre nosso visitante exterior. Até o momento descobriu-se que Oumuamua é muito estranho, possui uma forma de charuto e tem uma cor avermelhada,  gira em torno de seu eixo a cada 7,3 horas, é rico em metais, possui 400 metros de comprimento, o equivalente a aproximadamente 4 campos de futebol. E possui 40 metros de diâmetro.

Dimensões e característica do Oumuamua

Sua maior aproximação com o Sol foi em 9 de Setembro, agora o asteroide segue em direção a constelação de Pegasus.

Desde sua passagem, vários observatórios em todo o mundo acompanham a trajetória de Oumuamua na tentativa de descobrir mais de seus segredos.

Agora um grupo de astrônomos está propondo algo inusitado. Enviar uma sonda com o objetivo de alcançar o asteroide e efetuar estudos diretamente da superfície de Oumuamua.

Trata-se do “Projeto Lyra“. O objetivo é interceptar e elaborar estudos mais detalhados no asteroide interestelar.

O time que está por trás do “Projeto Lyra” acredita que estudar Oumuamua seria uma oportunidade única na vida com a chance de ter acesso a material interestelar. Isso impulsionaria o conhecimento científico em várias áreas.

Uma missão como essa é extremamente difícil, mas um estudo direto em Oumuamua valerá muito a pena.

Até mesmo, o simples fato da iniciativa de pesquisas em tecnologias para alcançar o asteróide podem trazer muitos avanços para a tecnologia atual.

De acordo com os cálculos obtidos em observações, estima-se que o Oumuamua viaja a 26 km/s o que equivale a 95.000 km/h. Nenhuma tecnologia humana é capaz de atingir esta velocidade. A Voyager 1 que é nave espacial mais rápida já criada, viaja a 61.000 km/h. A new Horizon, a sonda que passou por Plutão viaja atualmente a 58.500 km/h.

Para alcançar Oumuamua, a sonda deverá viajar em uma velocidade muito superior a do próprio asteroide. Além disso não poderá contar com a órbita de nenhum planeta para ganhar velocidade.

Outro problema é quanto ao tempo de desenvolvimento e lançamento da sonda. Como o asteroide se afasta a cada dia, o ideal é que a nave seja lançada nos próximos anos. Daí os engenheiros têm vários desafios a serem solucionados em pouco tempo. Tecnologia de propulsão, energia necessária, tipo de combustível, tempo de viagem, entre outros. Isto sem mencionar os instrumentos necessários para pesquisar o asteroide.

O problema maior no entanto é a velocidade. Porém uma vez solucionado a questão de como criar uma nave tão rápida, teremos outro grande problema.

Se a nave for muito rápida, significa que ao alcançar Oumuamua, irá ultrapassá-lo rapidamente, o que acaba reduzindo o tempo de pesquisa. O ideal é que os engenheiros criem uma forma da nave desacelerar para acompanhar o asteroide em paralelo.

Uma outra possibilidade, é que a sonda seja projetada para pousar no asteroide, o que seria muito arriscado. Mas uma vez conseguido teríamos um instrumento humano pegando carona em um asteróide interestelar viajando a quase 100.000 km por hora.

Seja como for, apenas o estudo para uma missão como essa, já é muito promissor. Mesmo que não conseguimos enviar uma sonda a tempo de alcançar Oumuamua, outros asteroides interestelares virão. E possivelmente, da próxima vez,  estaremos mais preparados.