O sistema Trappist e o equilíbrio necessário para existência de vida.

Sistema Trappist-1 e a possibilidade de vida

 

Hoje vamos falar sobre o sistema solar da estrela Trappist-1, Em 2017 a NASA divulgou a descoberta de 7 planetas que possivelmente podem ser parecidos com a Terra.

Nós preparamos uma coletânea de informações para você entender bem como é o sistema Trappist-1, como devem ser os planetas, e se existe ou não a possibilidade de água e quem sabe vida.

 

A ESTRELA TRAPPIST-1

Estrela: 2MASS J23062928-0502285
Distância: 39 anos-luz
Tipo: Anã vermelha
Idade: Entre 5,4 a 9,8 bilhões de anos
Constelação: Aquarius

Primeiro vamos conhecer a estrela Trappist-1. Esta estrela foi inicialmente observada em 1990, mas sua classificação foi determinada somente 10 anos depois. Ela foi identificada como uma estrela do tipo anã super fria.

É uma estrela bem pequena. Possui apenas 8% da massa de nosso Sol. Se colocássemos Trapppist-1 do lado do Sol, e se o Sol fosse do tamanho de uma bola de futebol, Trappist-1 seria do tamanho de uma bola de ping-ping. Trappist-1 é apenas um pouco maior que o planeta Júpiter.

Ela fica na constelação de aquário e está a 39 anos-luz de distância da Terra. O nome Trappist-1 foi dado porque foi a primeira estrela com planetas, descoberta pelo telescópio Trappist.

E o telescópio recebeu o nome Trappist em homenagem a ordem católica dos Trappists que fabricam um famoso tipo de cerveja originado na Bélgica.

 

O SISTEMA TRAPPIST-1

No dia 22 de fevereiro de 2017 foi anunciado a descoberta de 7 planetas, todos com aparentemente o mesmo tamanho da Terra no sistema solar Trappist-1.

A descoberta é sensacional, mas não somente pelos tipos de planetas que foram encontrados, mas porque Trappist-1 é uma estrela do tipo anã vermelha. A maioria das estrelas do universo são anãs vermelhas. Em outras palavras é muito possível que este mesmo modelo de sistema se repita em outras anãs vermelhas. Isso aumenta exponencialmente a chance de existirem outros planetas como a Terra.

Agora vamos dar uma olhada melhor no sistema solar de Trappist-1. A primeira característica que chama a atenção é a proximidade que esses planetas estão de sua estrela. Eles estão realmente muito perto. Para ter uma ideia de quão perto estes planetas estão, vamos comparar com nosso sistema solar:

Dos 8 planetas de nosso sistema solar, Mercúrio é o que está mais próximo do Sol. A órbita de todos os planetas de Trappist-1 são menores ainda que a orbita de Mercúrio. Na verdade a orbita do planeta mais externo de Trappist-1 é ainda 6 vezes menor que a orbita de Mercúrio.

O Planeta mais próximo, o Trappist-1 b, completa uma volta em torno da estrela em apenas um dia e meio. O planeta mais externo, o Trappist-1 h provavelmente leva 20 dias.
Em comparação, o planeta mercúrio de nosso sistema solar completa sua orbita em torno do Sol em 88 dias.

Se a estrela Trappist-1 fosse tão quente quanto nosso Sol, todos os 7 planetas estariam torrados. O fato de ser uma estrela menor não só proporciona uma maior proximidade, como a região de calor também é bem menor. Os três planetas mais próximos, B, C e D são os mais quentes. Tão quentes que talvez, não seja possível a existência de água liquida.

Os planetas E, F e G, estão na zona habitável, num ponto onde não são nem tão quentes, e nem tão frios. Se houver água nesses planetas, é possível que seja encontrada em estado líquido.

Por fim o planeta H que em termos de distâncias nem está tão longe assim, mas pelo fato de ser uma estrela pequena, não recebe tanto calor. O planeta H, foi o último dos sete planetas a ser confirmado.

Um outro fenômeno que ocorre devido as pequenas orbitas, é que todos os planetas estão com suas rotações travadas. Sendo assim o mesmo lado do planeta está sempre voltado para a estrela. É o mesmo que ocorre com a nossa Lua. O mesmo lado da Lua está sempre voltado para a Terra. É por isso que o lado da Lua que não conhecemos é chamado de “lado escuro da Lua”.

No caso dos planetas de Trappist-1, o fato de estarem sempre com o mesmo lado apontado para a estrela faz com que os dias e as noites sejam eternos. Enquanto um lado do planeta é sempre dia e quente, o outro lado é sempre escuro e gelado.

OS 7 PLANETAS

Agora que conhecemos as orbitas vamos dar uma olhada nos planetas.

Primeiro, tome um pouco de cuidado com as notícias que estão ocorrendo por aí, pois tem se falado muito que esses planetas são parecidos com a Terra e abundante em água. Mas a NASA nunca falou nada isso.

O que se sabe é que são planetas de tamanhos semelhantes ao tamanho da Terra, e as análises indicam que podem ser planetas rochosos. Então o que se sabe realmente é a orbita, o tamanho e provavelmente que são planetas rochosos. O que os cientistas buscam agora, e encontrar evidências se esses planetas possuem atmosfera, e também se existe água.

Aqui vale uma outra comparação com nosso sistema solar.

Se uma civilização muito longe daqui, estudasse o nosso Sol, poderia encontrar os planetas Mercúrio, Vênus, Terra, Marte e até a nossa própria Lua. Todos esses astros seriam identificados em algum momento como rochosos. Mas apenas um desses planetas, a Terra, possui atmosfera, água líquida e outros compostos ideais para a vida.

Mercúrio e Vênus são muito quentes, a Lua e Marte completos desertos.

É provável que entre os planetas de Trappist-1, assim como em nosso sistema solar, encontremos planetas completamente secos. O que torna Trappist-1 especial, é que devido a quantidade de planetas a chance por ambientes ideais a vida é muito maior.

Outra característica interessante é que os planetas de Trappist-1 estão bem próximos uns dos outros. Se você estivesse em um desses planetas e olha-se para o céu, conseguiria ver os 6 planetas a olho nu. E alguns seriam vistos quase que tão grande quanto a lua.

A proximidade entre os planetas e a interação de suas orbitas também causa alguns fenômenos. Aqui na Terra, temos a influência da Lua na força das marés. O mesmo ocorre com os planetas de Trappist-1, todos interagem e causam força de maré entre si. Isso pode causar vulcanismo, e se houver oceanos pode ocasionar até intensos tsunamis.

VIDA

Com relação a existência de vida, a palavra de ordem é “equilíbrio“. Existe sim a possibilidade de vida no sistema Trappist-1, porém, as chances são muito ínfímas para que a vida, pelo menos o tipo de vida que conhecemos, tenha prosperado em em Trappist-1, a relação entre a estrela e os planetas precisa ter encontrado o equilíbrio perfeito.

Na época que foi divulgado o sistema solar de Trappist-1, acreditava-se que a estrela tinha em torno de 500 milhões de anos. Se fosse este o caso, seria muito difícil a existência de vida. Estrelas jovens são muito agressivas com enorme atividade radioativa. Este bombardeio impede que a vida floresça nos planetas mais próximos. Por outro lado, 500 milhões de idade, significa que os planetas tiveram muito pouco tempo para que a vida prosperasse. Além da pouca idade, é também necessário um tempo até que o sistema se estabilize. Nas fases iniciais de formação dos planetas, o sistema solar está cheio de detritos que acabam caindo nos planetas mais proeminentes. Há também choques entre planetas o que causa a destruição de alguns e o fortalecimento de outros. É necessário um tempo até que o sistema todo se estabilize. Sendo assim é muito difícil haver vida em um sistema tão jovem.

Mas novas esperanças surgiram quando cientistas da Universidade da California juntamente com o Programa de Exploração Exoplanetas da NASA, conseguiram determinar uma nova estimativa de idade para a estrela Trappist-1. Com base em observações constantes e cálculos, acredita-se agora que Trappist-1 é muito mais velha, podendo ser até mesmo duas vezes mais velha que o nosso sistema solar.

As novas estimativas sugerem que este sistema possa ter entre 5,4 a 9,8 bilhões de anos. Em comparação o nosso sistema solar tem 4,5 bilhões de anos.

No que se refere a busca por vida, esta pode ser uma boa notícia. Mas como foi dito anteriormente, é necessário que tenha havido um equilíbrio perfeito. Com esta idade, Trappist-1 se tornou uma estrela estável. Segundo os cientistas, Trappist-1 parece ser até bem comportada com relação a outras estrelas de mesmo tipo. Os sete planetas que lá estão sobreviveram a infância da estrela. Porém ter sobrevivido pode ter tido um preço. É muito provável que estes planetas, se tinham água no passado, ou até mesmo atmosfera, os tenham perdido completamente devido a atividade radioativa da estrela. Como exemplo disso podemos citar o planeta Marte que hoje é um completo deserto com uma atmosfera muito rala. Em algum momento Marte perdeu seu campo magnético. Sem a proteção dos campos magnéticos o planeta ficou exposto aos ventos solares e a radiação do Sol, o que provocou a devastação da atmosfera e oceanos.

Isso aconteceu a Marte mesmo se tratando de uma estrela comportada como o nosso Sol. Porém o que aconteceu com os planetas de Trappist-1 foi provavelmente muito mais devastador. Estrelas anãs vermelhas são muito agressivas, e a curta distância entre os planetas a estrela pode ter sido fatal.

É muito provável que os planetas sejam completos desertos secos como Marte, com exceção dos dois últimos, o G e o H. A esperança é que os planetas da zona habitável e até mesmo os mais externos tenham conseguido produzir uma camada de atmosfera suficiente para suportar os milhões de anos de ataque da estrela e que também tenha um campo magnético para se protegerem.

A camada de atmosfera precisa ter sido grossa o bastante para proteger a superfície e a água, porém não tão grossa a ponto de criar um efeito estufa esquentando demais o planeta. Assim como acontece com nosso vizinho, o planeta Vênus. Vemos aqui também a necessidade do “equilíbrio”.

Dos 7 planetas descobertos o que tem mais chance para vida é o Trappist-1 E, pois é o que fica na zona habitável. No ponto onde não é nem tão quente e nem tão frio.

Ele recebe quase tanta luz de sua estrela quanto a Terra recebe do Sol, então se este planeta possuir atmosfera e conseguir se proteger da radiação, é possível que a vida possa ter prosperado em Trappist1-E. Aí, não há como não se perguntar: Será que existe vida nesse ou em outro planeta do sistema Trappist-1?

Pelo menos, vida como conhecemos provavelmente não. Os cientistas acreditam que se houver vida por lá, precisam ser seres muito mais robustos e com capacidade de viver em um ambiente muito mais hostil do que o nosso (pelo menos do nosso ponto de vista).

Acredita-se que a primeira fagulha de vida tenha surgido aqui, quando a Terra tinha 800 milhões de anos. E de lá para cá passaram-se mais de 3 bilhões de anos, até chegar a nossa civilização. Se Trappist-1 tiver duas vezes mais tempo de existência do que o nosso sistema solar, é até possível que a vida tenha surgido por lá em um dado momento e depois de extinguido.

A boa noticia para Trappist-1 é que estrelas anãs vermelhas tem um tempo de vida muito longo. Enquanto o nosso Sol está na meia idade. Trappist-1 poderá brilhar por trilhões de anos. Isso mesmo, “trilhões de anos“. Se levarmos em consideração que o universo tem apenas 13,5 bilhões de anos. Trappist-1 terá muito tempo para manter a vida prosperando, se é que existe vida por lá!

A PESQUISA CONTINUA

E o que acontece agora?
A pesquisa sobre os planetas de Trappist-1 estão só começando. Atualmente o telescópio Hubble está sendo utilizado para coletar dados que podem revelar algo sobre a atmosfera e composição desses planetas. E no ano que vem entre em operação o James Webb, o novo telescópio da NASA, muito mais potente e sensível que o Hubble.

O James Webb, já possui uma grande agenda de pesquisas a serem realizadas quando estiver em funcionamento, mas com certeza o sistema Trappist-1 será adicionado com certa prioridade, e em breve nos próximos anos, quem sabe quais serão as grandes descobertas que estaremos falando aqui.

Por hora, resta só comemorar a descoberta destes 7 planetas e torcer para quem sabe com eles, encontrarmos a resposta para a grande questão: Estamos sozinhos no universo?