Os Primeiros Robôs do século XVIII – Criações de Jacques de Vaucanson

Os primeiros robôs, invensões de Jacques de Vaucanson

Hoje vamos falar sobre os autômatos considerados como os primeiros robôs da humanidade, e eles foram construídos em pasmem, em 1738. E foram criados por um inventor chamado Jacques de Vaucanson.  Talvez você nunca tenha ouvido falar dele. Hoje em dia o seu nome é pouco lembrado, mas a medida que ler esta matéria verá que a vida deste inventor francês é mais importante para nós no século XXI do que para os seus contemporâneos em sua época.

Jacques de Vaucanson nasceu na França em 1709. Teve uma infância pobre, porém desde cedo tinha o sonho de se tornar um relojoeiro.  Ele queria criar relógios com as própria mãos. Ainda criança foi levado para estudar com os Jesuítas para ter uma educação.

Nesse período de sua vida ele cogitou a possibilidade de seguir a carreira religiosa. Mas logo retomou seu antigo sonho de ser relojoeiro. Porém foi com a junção de seu talento para a mecânica, com seus estudos em matemática e estudos anatomia humana, que Vaucanson se tornou um inventor dos mais renomados em sua época.

OS AUTÔMATOS

O tocador de Flauta, O tocador de pandeiro e o Pato Digerindo
O tocador de Flauta, O tocador de pandeiro e o Pato Digerindo

Sua primeira grande invenção foi em 1737, o “Tocador de Flauta”. Era um autômato em figura de um pastor em tamanho natural que tocava flauta.

E tocava mesmo, inclusive soprando a flauta e mudando as notas musicais com os dedos.

Porém aqui vale uma observação sobre a construção de autômatos. Não foi Vaucanson quem inventou os dispositivos autômatos. A representação de pessoas ou animais, em objetos que se mexiam por conta própria é muito mais antiga. A diversos relatos de autômatos na era medieval e até mesmo na antiguidade.

Na época de Vaucanson, autômatos eram comuns em apresentações de entretenimento. Os autômatos eram vistos como brinquedos ou artigo de arte. O termo “robô” que utilizamos hoje em dia foi criado apenas no século XX.

O que diferenciava o trabalho de Jacques de Vaucanson dos demais era a sofisticação. Os seus autômatos eram muito sofisticados para a época. E isso se explica ao fato de um desejo que ele almejou em seus trabalhos, “o desejo de inventar a Vida Artificial”.

O Tocador de flauta possuía movimentos em quase todas as partes do corpo, e podia tocar 12 músicas diferentes.

E foi também com o tocador de flauta, a primeira tentativa de revestir um autômato com algo que tenta-se simular a pele humana. Por esse fato, o tocador de flauta é considerado o primeiro autômato biomecânico do mundo.

Em 1738 Vaucanson apresentou um segundo autômato, “O Tocador de pandeiro”.  Logo o inventor ganhou fama, chamando a atenção da realeza e até de pensadores da época.

E aí veio o autômato que é considerado a sua obra prima. Com o estranho nome de “O pato digerindo”, era um robô que tentava simular um pato artificial.

O Pato de Vaucanso mexia praticamente todo o corpo, invergava o pescoço e batia as azas. Mas a sua maior habilidade era poder comer pequenos alimentos como sementes, beber água e defecar.

O Pato Digerindo de Vaucanson
O Pato Digerindo de Vaucanson

O Pato original construído no século XVIII, assim como os outros autômatos construídos por Vaucanson foram perdidos.  Porém existe uma réplica simplificada na Europa que tenta recriar os movimentos do exemplar original.

O autômato original tinha cerca de 400 partes móveis em cada aza. E o mecanismo interno era muito sofisticado.

Um ponto interessante, é que parte do revestimento do autômato era propositalmente vazado, de forma que as pessoas pudessem ver o que ocorria por dentro do corpo do pato.  Nas apresentações, o pato respirava, comia sementes, bebia água, digeria os alimentos e defecava.

Porém, quanto a digestão dos alimentos, havia uma trucagem. O pato não processava realmente os alimentos em seu estômago. Ele ingeria de fato sementes e água. Porém o excremento era feito de miolo de pão com corante verde, que era escondido em um dispositivo secreto.

Os Autômatos de Vaucanson
Os Autômatos de Vaucanson

 

O LEGADO

As invenções de Jacques de Vaucanson são muito mais importantes do que parecem. Por ironia do destino, se você está lendo este artigo. Isso só é possível em partes por causa dessas mesmas invenções.
Veja só: Foi graças ao estudos do inventor para fazer esses autônomos que lhe deram conhecimentos e habilidades para mais tarde criar outras invenções.

Ocorre que devido o prestígio alcançado, em 1741, ele foi trabalhar para o Governo Francês. No reinado de Luis XV foi nomeado como inspetor de produção de Seda na França. Ou Seja, foi trabalhar no ramo têxtil.

Nesse período as tecelagens francesas estavam perdendo terreno para a Inglaterra e Escócia.

Daí a habilidade mecânica de Jacques falou mais alto e ele começou a pensar em uma maneira de automatizar o processo de tecelagem. Em 1745, ele projetou o primeiro tear totalmente automatizado do mundo. A ideia era simples, substituir o trabalho manual de forma que pudesse ser realizado sequencialmente por uma máquina, sem a interversão humana durante o processo.

Mas como fazer isso, já que cada tecido podia ter um desenho diferente?

Ele conseguiu resolver esse problema utilizando “cartões perfurados”.

Tear automatizado de 1748
Tear automatizado de 1748

A posição dos buracos nos cartões definiam como o tear carregaria as bobinas de seda, sem o perigo de erro humano.
Em outras palavras era finalmente possível programar (atente para essa palavra, “programar”), o que a máquina ia fazer.

Ideia boa não?

Infelizmente os tecelões não viram dessa forma. E Jacques foi acusado de tentar reformar o processo de fabricação da Seda. Logo foi destituído e suas ideias foram ignoradas.

Jacques de Vaucanson morreu em Paris em 1782.

Todo o seu trabalho foi deixado para em poder do Rei Luis XVI. Anos mais tarde, os autômatos foram destruídos ou perdidos na revolução francesa. Porém o seu trabalho nos teares foi redescoberto algum tempo depois por Joseph Marie Jacquard.

Jacquard era matemático. Mas era filho de tecelões, então quando criança, teve que trabalhar com os teares. E Jacquard, odiava o serviço.

Ele aperfeiçoou os trabalhos de Vaucanson, e em 1804 construiu seu próprio tear automatizado. Este novo tear revolucionou toda a indústria têxtil mundial.

Mas não foi só isso não, a mecânica dos cartões perfurados serviram de inspiração para outras áreas, E uma delas foi a computação. Então se hoje, temos computadores, e se você está lendo este blog através de um dispositivo, agradeça também a Jacques de Vaucanson, que a 280 anos atrás, desejou criar relógios.